Num mesmo elevador: uma professora rouca depois do show da Laura Pausini, outra ansiosa pelo da Ana Carolina e um medalhista do campeonato de esteira. Num mesmo carrinho de bebê: uma cadela vira lata, um gato médio e um recém nascido, um pacote de lenço infantil umedecido e um casaco pra protegê-los do frio. Numa mesma travessia de pedestres: três fileiras de guarda chuvas, duas num sentido e a do meio no oposto, nesta um laranja destoando dos demais, todos pretos, num conjunto inacreditalmente harmonioso.
#stick 33 – ritmo
Outubro 8, 2009 por acidstickers#stick 32 – toque de luccius
Setembro 11, 2009 por acidstickersJá está em vias de aprovação a criação da ONG Lucio Ribeiro. Nela se reunirão músicos carentes de shows, público e mp3 para download. Será um espaço sépia e com cara de cachorro que caiu da mudança. Terapias em grupo na sala Marfim sob orientação da Elaine (ex-No Limite), que irá apresentar a palestra “Três dias na Selva sem Ipod”. No espaço recreativo Um Lobo Só Não Faz Verão [homenagem ao pai do underground nacional, que na verdade pouco ligou pra isso], serão trabalhadas as razões pelas quais não dá pra viver de música no país. Quando a noite cair e não tiverem onde tocar, todos ficam convidados, desde já, para uma inesquecível experiência de transcendência ao eu-mesmo de cada um, na parte mais íntima dessa intervenção, apelidada de Pepê e Neném, tão incompreendida quanto seus visitantes.
MMPG
#stick 31 – ok?
Agosto 20, 2009 por acidstickersAbre aspas
Ouvida pela coluna, a cantora Preta Gil disse que Ivete está “muito preocupada com a gripe suína” e “podia ter ficado em casa se quisesse, mas quis cantar para seus fãs”
Fecha aspas
Isso de artista se arder com a maldita opinião pública [maldito termo!] e querer sempre assumir uma postura de vivo-bem-sem-vocês, é um saco. Porra, se a mulher manda desinfetar o corredor, o microfone e avisa que só fará o percurso carro palco, palco carro, é obvio que isso vai gerar bafafá, alguma dúvida? Incrível, mas sempre tem alguém pra regurgitar a supremacia pop.
#stick 30 – celebrai
Agosto 12, 2009 por acidstickersEstava quase no fim a entrevista da Young com o Tas no programa de nome e formato mais nu pedante da TV fechada. Os últimos suspiros não poderiam ser mais, digamos, irritantes (rá!). Ele falou sobre ter que saber ouvir pra poder entrar de cabeça nesse mundão virtual de meu Deus. Ponto! era a minha deixa pra assistir até o final. Ela rebate com o célebre discurso babaca da celebridade com ar de maluquinha inédita, dizendo blá blá blá que às vezes não quero ser achada (Oh, grande diva cool). Já na subida dos créditos, um diálogo em voz mais baixa, sinalizando intimidade, liberdade de expressão e formato ideal de programa, sobre algumas posturas do Caetano, a atual estética da TV brasileira, figurino do vocalista da banda que fechava a entrevista e as reações que a apresentadora teria se tivesse que subir ao palco, como fez uma figurante da platéia. Tudo sob uma incômoda atmosfera do humor descobri-a-pólvora. Agora é se preparar pra entrevista com a Dieckmann (lôca por ela!).
#sitck 29 – pestana
Agosto 11, 2009 por acidstickersPassei a madrugada de ontem pra hoje quase toda em claro. Começou a ventar muito forte, apesar do calor no quarto. Minha janela e porta ficaram fazendo barulhos estranhíssimos que me acordaram e fizeram temer que fosse ladrão ou espírito, e pra completar meu nariz entupiu, sem volta, desde a hora que comecei a chorar em Grey’s anatomy, umas 10 e meia da noite, fator que durante uma madrugada insone parecia ser um sintoma da gripe suína. Resultado, sem coragem de levantar sequer prum xixi, durante horas eu dividi meu tempo entre um punhado de Santo Anjo e Ave Maria, apaguei sms antigo do celular, lí umas páginas do Malu, chorei, pensei que o dia seguinte ainda era terça, pensei em me demitir, pensei em anos passados, pensei num episódio da 4ª série, pensei que amanheceria chovendo, senti fome, e foda-se, encasquetei que hoje seria uma puta de uma terça feira, que eu teria boas notícias e só pensaria em coisas bacanas enquanto lia quadrinho no busão e ouvia rádio indo pro trabalho. De toda essa esperança meio dormindo e meio acordada, o que eu ganhei foi uma bela conversa ao telefone com meu pai, que tirando uma coisa aqui outra ali lá pelos arredores dos 19 / 20 anos, sempre são as melhores palavras pra uma manhã que teve pouca noite dormida e muito tempo pra pensar merda.
#stick 28 – o referencial
Agosto 5, 2009 por acidstickersLá atrás quando ouvi pela primeira vez que a trajetória de um corpo dependia do referencial, percebi que isso poderia me fazer amadurecer para questões que se abalariam pela mais chinfrim das metáforas mundanas. Dependendo do grau metafísico do meu humor, estimulado por hormônios ou pela diarista que faltou sem avisar no dia que se deixa uma pilha de louça na pia, as sketchs do meu dia podem ser lidas com uma certa boa vontade, juro. Um email da chefa reclamando que andam jogando copo plástico no lixeiro das mesas ao invés de jogar no lixeiro da copa (!), poderia ser apenas não lido, como tantos outros de semelhante relevância. Mas não, é a tal cereja vencida do meu sundae de côco, o meu colírio de sal com limão e gripe suína do ônibus, o despertar com cutucão na panturrilha, é a pior maneira de relfetir sobre o que diabo de dias são esses que eu ando marcando na porcaria do meu calendário.
#stick 27 – sinestésicos neurônios
Julho 30, 2009 por acidstickersSe nada mais der certo viro saudosista e vivo disso nas minhas mais sigilosas entranhas.
#sitck 26 – passeio escritório
Julho 8, 2009 por acidstickersA primeira vez que eu trabalhei num feriado foi só o começo de uma era que só teve começo mesmo. De lá pra cá eu senti milhões de coisas sempre que chegava a folga que eu nunca tinha. Houve dias em que me irritei, que desejei o mal, que enrolei, que fiz coisa pra dedéu, que chorei, que vomitei, que fui com resto de rímel perto do queixo. Mas, como eu tava ali e por lá ficaria por horas, sempre (sempre!) reparava no espírito dos que ali estavam para cumprir seus horários. Inevitavelmente me questionava: Porque diabos em dias de feriado que se trabalha normalmente, o povo adora achar que está no seu lazer e de repente foi chamado pra acudir uma empresa? Sempre tinha um de havaianas, bermudinha, roupa estampada (!) ou boné. Aí no outro dia, como se ninguém tivesse percebido, volta ao traje rotineiro. Faz uns 8 minutos que ouvi um grupo tramando de boicotar os bons costumes (uau!) amanhã, no feriado, e quase em tom de piquete, bradaram no tom que lhes é permitido, que trabalharão todos de camisa de time de futebol e bermuda. Tão boa a sensação de folgar.
#stick 25 – porquinho
Julho 3, 2009 por acidstickersSaca ter que cuidar do neném dos outros, lavar prato ou servir drink em NY ou Londres porque é divertido morar lá? Então.

um dia eu também vou falar de dinheiro assim
#sitck 24 – pingos de amor
Julho 2, 2009 por acidstickersAs porqueiras que andam subindo e voltando na chuva alimentam assustadoramente a bestialidade humana, sério. Fechou o tempo e pronto: população fica frenética, 5 horas atrasada, faminta, impaciente e feroz — tudo isso diretamente proporcional ao tamanho do carro que se dirige. Precisei de duas aberturas de semáforo pra atravessar um total de 4 pistas, que somadas ao canteiro central, me roubam cerca de 5 segundos diários pra cruzar em dias normais (oi?), tudo graças a um Corolla pomposo e corpulento dirigido por um Búfalo de uns 70 anos parado, claro, na faixa de pedestres, enquanto carros na frente e atrás se movimentavam num descontrolado cio, que sob qualquer vestígio de sinal amarelo, se desespera como se aquilo fosse um portal de salvação, e foda-se se eu e meia calçada não tem carro, a gente que espere uma brecha, e se dê por satisfeito.