São impagáveis os discursos previsíveis de “o-livro-é-melhor” sempre que sai a versão em película de alguma obra literária. Previsível, também, como só eu, fui ao cine na primeira semana ver o Ensaio Sobre a Cegueira. Fui eu, o namorado e a amiga, dos quais só eu e ele tínhamos lido o livro (ó!) e antes de escurecer a sala, não me aguentei e mandei: Aviso logo que vou ter vontade de cuspir no primeiro que anunciar, ao término da sessão, em tom de crítico descoladinho de cinema que se refere aos filmes pelo nome dos diretores, que preferiu o livro. Mas que nada, foi tranquilo, e acabei economizando saliva pra emitir um humilde elogio ao filme (já la fora, na calçada do cinema, juro) – foi só o que me coube no momento. Honestamente eu prefiro mil vezes um ‘opinioso’ de marca maior ao passivo morno que tem dúvida até se vai sentir frio à noite, nunca sabe o que pensar ou que se enche de discursos do google, cheios de observações rasas que só servem pro cara ter feito a parte dele. Só que o enjoado nisso do opinioso do livro-é-melhor é que ele vai ser o mesmo sujeito que quando vir um Marçal Aquino na tela (minha versão ‘parte pelo todo’ mode on), vai achar que o Aquino em prosa, que veio depois, deixou a desejar. É uma contraposição espontânea, questão de sobrevivência. Assim, bem previsível e primitivo.