Posts de Outubro, 2008

stick#7 – desidratado

Outubro 24, 2008

Acontecimentos observados de dentro do busão, que fizeram aquele engarrafamento parecer mais quente e maior do que realmente era:

1 – Bandeiras do MR-8, balançadas sob o Sol paulistano, em solidariedade à campanha da Marta.

2 – Um carinha procurando, aflito, algum dos funcionários, que diz que existem nos metrôs, pra auxiliar cadeirante a descer pelo acesso preferencial que não existe.

stick#6 – mea culpa pra boi dormir

Outubro 20, 2008

Assim como o país inteiro, eu também fiquei chocada com a tragédia com as garotas de Santo André. Deixando de lado o discurso de acontece-todo-dia-mas-só-ficou-maior-por-causa-da-”mídia”, eu espero ter sempre dentro de mim, razões suficientes pra me impressionar. Brasileiro é sempre tão sonso com discurso de querer o bem do outro, que diz que deixou receosos até os policiais sobre acertar ou não o sequestrador (cogitar a falta de tato e preparo deles é muito lugar comum). A diferença é que não era a minha filha nem a sua que estava lá dentro, pq quando o cenário é esse, pro inferno com o mal-feitor, mas claro, longe dos meus olhos pra não potencializar mais uma culpa pro hall dos meus simulacros. Polícia não gosta de bandido, acertar os Lindemberg está no cronograma e tem deadline. Me desculpem os puristas, mas não me sinto uma escrota por acreditar na necessidade de ações severas, que deveriam ter sido aplicadas, contra o rapaz, durante todo aquele circo, tratado como uma dor de cotovelo junenil. Sofro quase como penitência pelos que, sob ruínas, restaram pra velar a dor de terem sido as vítimas de um despropósito dessa amplitude, uma sabatina malfadada, já que um dos grandes táticos que trabalhou na operação de resgate, afirmou que esse episódio servirá de treino para melhores atuações futuras.

stick#5 – com açúcar (mascavo!) e com afeto

Outubro 16, 2008

Eu tenho um carinho especial por todos aqueles que parecem já ter nascido com as roupas e as armas de Jorge. É tanta firmeza e segurança sobre si que permitem que o cara se auto-promova (com o real intuito de se promover, sim) com um ar tão despretensioso, que beira um cinismo tão insosso quanto a platéia que ele conquista. E é exatamente aí que entra o mais intrigante de tudo, nego vira uma espécie de lifestyle e começa a dar cria. Lógico que isso tudo foi motivado porque eu também tenho os meus prediletos na vida virtual, imprensa (?), televisão e na vida real. E cada um deles tem seu lugar reservado e os meus mais sinceros venenos.

stick#4 – joelho no milho é coisa do passado

Outubro 9, 2008

Como todo ano que se preze sempre chega o tão esperado dia do Yom Kipur, o dia do perdão. Dia, também, de tirar uma folguinha. Mas, nesse pacote existem 5 proibições, dentre as quais está:

“É proibido tomar banho por prazer”.

No Yom Kipur do ano passado J.Abraão, primo do mascote do ressaca moral, teve a melhor performance já registrada, de preparação para a aflição do corpo, em nome do banho mais sofrido dos últimos 2000 anos.

stick#3 – sem rena nem nariz vermelho

Outubro 8, 2008

Quer dizer que Bancos e Oscar Freire já estão botando suas luvinhas de fora, hein?! É, pra eles o Natal já chegou e de quebra as decorações que ultrapassam o imaginário chapado do habitat do bom velhinho. Eu confesso que isso é o tipo da coisa que não me toca e nem influencia pro meu Natal ser mais choroso e emotivo. Muito pelo contrário, eu acho a maior melação das boas vibes natalinas que já inventaram. É sempre aquela variação de cores de presente de chá de casa nova, vermelho e dourado. Neves e bichos alegres e satisfeitos por fazerem parte da família noel. Acho o cúmulo da breguisse, tá pau a pau com aquelas paradas da disney, mas lá pelo menos tem montanha russa, mikey freak show e monte de gringo pra gente ensinar a falar palavrão.

stick#2 – mais clichê que o rayban do johnny cash (que veio pra ficar)

Outubro 3, 2008

Bem tolinha me permiti ter vontade de escrever nesse blog mega badalado ontem ao ver o VMB. De todas as vergonhas alheias ainda não sei muito bem qual delas foi a minha preferida. Tem um longo caminho que passa pelo playback do Block Party, seguido da queda nervosa e do cooper do vocalista, além do batera que tirando sarro com a minha e com a sua cara, suspendia as baquetas enquanto ecoava pelas PAs um puta som bem gravado em estúdio de cada um dos tons da bateria. Só que pra me dividir, ainda teve o performático bonde do rolê que oscilou entre as cenas de figurantes que dançam em balada do zorra total e as “festinhas” de filme de sacanagem. Só que quando parecia que todos os constrangimentos planejados pela MTV já tinham rolado, teve a banda dos sonhos. E aquele papo mais clichê que esse post de “vamos chamar o Chimbinha pq ele é foda” claro que se tonou a minha vergonha alheia predileta. Na boa, ele manja e coisa e tal, mas isso não passou do trecho do roteiro que o diretor sugere abanar o cavão do “exótico” (super!) pra pagar de descoladinho. Com todo o respeito à melação e enjôo que era a sandy e junior, o guri finalmente se libertou e vestiu seu melhor traje de influente e fez bonito com a tal banda nova – Nove mil anjos – que não ofuscou ninguém, mas conseguiu ser o tal imprevisível que o Mion insistiu em dizer que era o quê da festa.

stick#1 – de óculos proposta

Outubro 2, 2008

São impagáveis os discursos previsíveis de “o-livro-é-melhor” sempre que sai a versão em película de alguma obra literária. Previsível, também, como só eu, fui ao cine na primeira semana ver o Ensaio Sobre a Cegueira. Fui eu, o namorado e a amiga, dos quais só eu e ele tínhamos lido o livro (ó!) e antes de escurecer a sala, não me aguentei e mandei: Aviso logo que vou ter vontade de cuspir no primeiro que anunciar, ao término da sessão, em tom de crítico descoladinho de cinema que se refere aos filmes pelo nome dos diretores, que preferiu o livro. Mas que nada, foi tranquilo, e acabei economizando saliva pra emitir um humilde elogio ao filme (já la fora, na calçada do cinema, juro) – foi só o que me coube no momento. Honestamente eu prefiro mil vezes um ‘opinioso’ de marca maior ao passivo morno que tem dúvida até se vai sentir frio à noite, nunca sabe o que pensar ou que se enche de discursos do google, cheios de observações rasas que só servem pro cara ter feito a parte dele. Só que o enjoado nisso do opinioso do livro-é-melhor é que ele vai ser o mesmo sujeito que quando vir um Marçal Aquino na tela (minha versão ‘parte pelo todo’ mode on), vai achar que o Aquino em prosa, que veio depois, deixou a desejar. É uma contraposição espontânea, questão de sobrevivência. Assim, bem previsível e primitivo.